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CUIDAR DA CRIAÇÃO SIGNIFICA CUIDAR DE SEUS IRMÃOS E IRMÃS


“Nós não podemos ficar de braços cruzados ao percebermos uma séria diminuição da qualidade do ar ou um aumento no volume de lixo que não recebe tratamento adequado. Essas realidades resultam da manipulação irresponsável da criação e nos chamam a exercer uma responsabilidade ativa pelo bem de todos.”

Em uma mensagem aos participantes de um congresso internacional sobre a “Laudato Si“, sua encíclica de 2015 sobre o meio ambiente e os desafios daqueles que moram nas grandes cidades, o Papa Francisco disse que esses desafios precisam ser superados com “três Rs“: respeito, responsabilidade e relacionamento.

O papa Francisco, na sexta-feira, enviou uma mensagem para um congresso internacional sobre o cuidado da nossa casa comum no contexto das grandes cidades, lembrando aos participantes que cuidar do meio ambiente, em última análise, significa ter responsabilidade sobre os nossos semelhantes.

“Nós vemos uma indiferença quanto à nossa casa comum e, infelizmente, a muitas tragédias e carências que atingem nossos irmãos e irmãs.” Essa passividade demonstra a “perda do sentido de responsabilidade quanto aos nossos semelhantes sobre o qual toda a sociedade civil é baseada” (Laudato Si 25).

“Todos os territórios e governos devem incentivar seus cidadãos a agirem de forma responsável para que, com inventividade, eles possam interagir e favorecer a criação de uma casa mais habitável e saudável”, disse o papa.

“Se cada um se responsabilizar sobre o pouco que lhe corresponde, muito será alcançado”.

Francisco enviou sua carta, datada de 12 de junho, aos participantes de um congresso internacional sobre “Laudato Si”, sua encíclica de 2015 sobre o meio ambiente e os desafios daqueles que moram nas grandes cidades.

O congresso, que aconteceu de 13 a 15 de julho, no Rio de Janeiro, Brasil, foi organizado pela fundação “Antonio Gaudi para as grandes cidades”, de Barcelona, em colaboração com a Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Na mensagem, Francisco destacou referências de Laudato Si’ sobre as necessidades específicas das pessoas que vivem em grandes cidades. Essas necessidades, explicou ele, precisam ser atendidas com “três Rs:” respeito, responsabilidade e relacionamento.

“O respeito é a atitude fundamental que o homem deve ter com a criação. Nós a recebemos como um presente precioso e devemos nos esforçar para que as futuras gerações continuem a admirá-la e apreciá-la”, afirmou.

Além disso, devemos ensinar a próxima geração a ter esse cuidado e respeito pela criação também.

No “Cântico das Criaturas”, São Francisco de Assis escreveu: “Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, útil e humilde, preciosa e pura”.

“Esses adjetivos”, explicou o papa, “expressam a beleza e a importância desse elemento, indispensável para a vida”.

Assim como outros elementos da terra, a água limpa e potável aponta para o amor de Deus por suas criaturas, acrescentou, e as sociedades têm a obrigação de garanti-la para todos, pois ao não receber o respeito e atenção necessários, a água torna-se fonte de doenças e um perigo para a sociedade.

“É dever de todos criar na sociedade uma consciência de respeito pelo nosso meio ambiente; isso beneficia a nós e a gerações futuras”, disse Francisco.

“Nós não podemos ficar de braços cruzados ao percebermos uma séria diminuição da qualidade do ar ou um aumento no volume de lixo que não recebe tratamento adequado. Essas realidades resultam da manipulação irresponsável da criação e nos chamam a exercer uma responsabilidade ativa pelo bem de todos.”

O papa observou que tanto nas áreas rurais quanto nas grandes cidades cada vez mais faltam relacionamentos. Isso é evidente principalmente nas cidades, disse ele, onde há um fluxo frenético de pessoas.

Independentemente das causas, isso pode ajudar a criar uma sociedade mais multicultural, promovendo riqueza e crescimento social e pessoal, mas também pode tornar a sociedade mais fechada e desconfiada.

“A falta de raízes e o isolamento de algumas pessoas são formas de pobreza, que podem levar à formação de guetos e gerar violência e injustiça. Em vez disso, o homem é chamado a amar e ser amado, estabelecendo vínculos de pertença e de unidade entre todos os seus semelhantes”, exortou.

Uma forma prática de fazer isso é através da formação de grupos em escolas ou paróquias – comunidades que ajudam a construir comunhão, senso de pertença e uma rede de apoio.

“É importante que a sociedade trabalhe em conjunto em um contexto político, educacional e religioso para criar relações humanas mais calorosas, para quebrar os muros que isolam e marginalizam”, concluiu.

“Por favor, peço que rezem por mim; e suplico ao Senhor que lhes abençoe”.

A reportagem é de Hannah Brockhaus, publicada por Crux, 15-07-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

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