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Hoje: 17/12/2017 e são 9:54

O MUNDO INTEIRO ESTÁ NAQUELA ESTRADA ALI EM FRENTE…


Embora o processo evolutivo tenha nos fixado, nos tornado sedentários e nos domado, o DNA de um espírito nômade está aí latente, sempre nos inquietando, disposto a se revelar. Basta dar condições que ele se aflora e se sobressai, nos impulsionando para além da inércia de uma vida estática e monótona.

Evidente que cada indivíduo responde de forma distinta ao chamado dessa força primitiva. Somos resultado de uma conjunção de forças complexas que não se equalizam tão facilmente como sugere o pensamento binário do sim X não. Enquanto alguns optam e se satisfazem em observar o mundo na comodidade de seu lar; outros, instigados, se lançam à jornada e assumem para si a condição de protagonistas. Ou seja, cabe tão somente a cada um a decisão e todas as implicações que ela trará, para o bem ou para o mal.

Já tive medo. Por vezes escolhi o sofá de casa. Deixei passar oportunidades únicas e convivo até hoje com o fantasma do “e se”… Mas o horror que tenho diante da efemeridade da vida me fez decidir: não vou ficar parado, vou além, o mundo todo por direito me pertence, pertence a todos e todas, isso me move e me completa, me integraliza e dá sentido à minha existência, parto para me encontrar.

Em certas viagens tive o privilégio de conhecer pessoas excepcionais, predestinadas ao meu encontro. Algumas se tornaram tão essenciais que teriam lacunas imensas em minha existência se elas não tivessem cruzado meu caminho; outras, passaram por mim e nunca mais as vi, mas permaneceram o tempo necessário para imprimir uma marca indelével em minha caminhada.

Foi ainda numa dessas viagens que vivi a grande história de amor da minha vida; assim como foi na estrada que deliberei as decisões que mais me impactaram e me trouxeram até aqui. Sou o resultado da jornada que me propus a trilhar, por isso estou sempre a caminho, pois sou um ser em estado permanente de evolução, e isso por si só já me impele a não ficar parado.

Mesmo as experiências aparentemente mal sucedidas trouxeram consigo algo de bom. Certa vez tive uma mala extraviada e fui obrigado a viver por 2 dias com o mínimo possível. Acreditem, é possível viver com pouco – foi revelador, epifania! A sensação de se libertar das amarras do consumismo selvagem e perceber que o valor das coisas está justamente naquilo que é simples me marcou profundamente, minha jornada rumo ao autoconhecimento ficou um passo mais breve quando me dei conta disso.

Acredito que viajar é uma alegoria da condição humana: muitas forças nos prendem ao estado estacionário – insegurança, medo, comodismo, falta de planejamento; mas uma vez superado tudo isso, nada mais deterá o fluxo, só restando a alternativa de seguir em frente.

Comecei este texto citando Belchior. Coração Selvagem é a grande canção que me inspira nesta fase: “sim já é outra viagem e meu coração selvagem tem essa pressa de viver”.

 

Márcio é Secretário Geral do CNLB Sul I e Coordenador da Comissão Nacional de Formação

4 Respostas “O MUNDO INTEIRO ESTÁ NAQUELA ESTRADA ALI EM FRENTE…”

  1. Simone Neves
    26 de setembro de 2017 em 1:58 AM

    Lindo texto meu querido amigo…. acho que posso te chamar assim pois apesar de ter o dobro da sua idade, sempre tive essa urgência de vida…. dei uma pausa… conheci meu grande amor… criei filhos, construí uma carreira… e agora estou novamente na estrada, trilhando novos caminhos…. sempre com essa louca urgência de viver mais e sempre!!!!

    • cnlbsul1
      17 de outubro de 2017 em 12:51 PM

      Obrigado, Simone. Gratidão.
      Márcio.

  2. Danielli Carvalho
    17 de outubro de 2017 em 12:48 PM

    Uaaaauuuuu
    não sei se é o caso, mas que p**** texto de sagitariano hahaha
    eu como arqueira nata, me identifiquei muito.

    “Em certas viagens tive o privilégio de conhecer pessoas excepcionais, predestinadas ao meu encontro” ahh a vida e a arte dos encontros e desencontros, não só com pessoas, mas com as milhões de pessoas que habitam dentro de nós.
    “Viajar é como trocar a roupa da alma” (Mario Quintana)

    • cnlbsul1
      17 de outubro de 2017 em 12:53 PM

      Que legal que gostou, Danielli. Gratidão pela leitura. Márcio.

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